Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
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A Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi erguida no século XVIII, pelo bandeirante Gabriel Ponce de Leon, que trouxe de Itu, em  1.703, a imagem da padroeira.

De modo decisivo, Ponce de Lion contribuiu, para a construção da ermida em 1715. Pelo qual esta registrado  no livro de Quintos da Vila do Príncipe, reverência nomes de escravos de propriedade do capitão Francisco Moreira Carneiro que trabalhavam nas obras.

Segundo o historiador Geraldo Dutra de Morais, a autoria do projeto coube ao mesmo arquiteto-construtor da desaparecida igreja da Purificação do Serro.

Em 1.722, a capela-mor estava construída, digna de ser celebrado o premeiro culto em homenagem a padroeira. Em seguida foi construído o consistório e a sacristia com altar do Senhor do Bom Fim, pronto em 1746. Em 1754, faltava recurso para terminar o Corpo da Igreja, torres, pintura do coro e muitas outras coisas. Então foi solicitada a ajuda ou melhor “suplica” ao rei Dom José I, pelo qual foi atendida rapidamente. Sendo assim foi prosseguida as obras que ficaram concluídas a 06 de novembro de 1.802, quando a igreja recebeu a benção inaugural.... Um de seus sinos foi adquirido em 1.743, datando de 1.818 o relógio da torre esquerda.

A igreja tem sido objeto, ao longo do tempo, de vários trabalhos de reparo ou restauração. Conforme se lê em relatório do presidente da Província, datado de 1.862, o governo mineiro aplicou, entre 1.850 e 1.860, quatro contos de réis em obras de reforma na matriz de Conceição. Em 1.883, a Câmara Municipal solicitaria, para o mesmo fim, nova quota de dois contos e seiscentos mil réis. De 1.905 a 1.906, realizaram-se, com recursos municipais, reparos gerais do tempo, com a colocação também de um pára-raios e quatro vitrais. Em 1.948/1.949 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN levou a efeitos trabalhos substanciais de restauração, inclusive na cobertura e em forros, cimalhas e assoalhos. Em 1984 com a ajuda da comunidade e da Paróquia Nossa Senhora da Conceição por Frei Dimas de Castro Neves foi feita uma restauração e pintura. Mas infelizmente o tempo tem sido grande  inimigo, a Matriz esta fechada aguardando o capricho de algumas pessoas que estão barrando a verba a ela destinada. Nossa Paróquia tem mantido funcionário para a limpeza da área e escoramento, cuidando para que não seja ainda mais prejudicada por vândalos.

O monumento é tombado pelo IPHAN, conforme Inscrições n. 318 – Livro de Belas Artes, fls. 67 – e n. 252 – Livro de História, fls. 43, datadas de 19 de novembro de 1.948.

Arquitetura

A planta é composta de nave, capela-mor e duas sacristias laterais ao longo das paredes da capela-mor. Segui-se partido tradicional das matrizes minerais da primeira metade do século XVIII, apresentando as torres salientes em relação ao corpo da igreja, solução peculiar à arquitetura religiosa da região. A fachada reflete ao mesmo espírito tradicional: torres de secção quadrada cobertas de telhados de quatro águas, frontão triangular decorado de telhas de bica, do mesmo modo que a cimalha em arco acima do óculo de formato caprichoso, duas janelas à altura do coro e porta principal almofadada. A estrutura em madeira, com paredes parte em alvenaria de pedra, parte em adobe, cunhais de madeira, cobertura em duas águas e beiras em cimalha. Internamente, piso em tabua larga, forros em abóbada na capela-mor e sacristia, arco-cruzeiro de madeira pintada e balaustradas de jacarandá na nave e no coro.

Ornamentação

É bem rica a ornamentação interior da igreja, especialmente quanto ao programa decorativo da capela-mor e da  sacristia do lado direito. O conjunto de tralha dourada mostra três retábulos, de autoria desconhecida, que parecem datar de meados do século XVIII e cuja qualidade é visível, apesar das repinturas. Os retábulos da capela-mor, de trabalho mais apurado, é presumivelmente de maior antiguidade, porquanto ainda inclui colunas torsas em sua estrutura. Estas colunas tem como suporte interessantes esculturas de anjos e aves Fênix, repetindo-se as figuras angélicas também no belo coroamento do altar, onde aparecem empunhando trombetas e ornatos de ramos e flores. Os retábulos do arco-cruzeiro, delimitados por pilastras em forma de mísulas e igualmente movimentados pela presença de aves e anjos, apresentam remate em dossel, característico do estilo Dom João V.

A sacristia do lado direito exibe magnífico conjunto de pinturas, constituído pelo painel do forro, de autoria desconhecida, e por uma serie de painéis emoldurados na parede acima do arcaz, atribuídos por Rodrigo Mello Franco de Andrade ao pintor Silvestre de Almeida Lopes, um dos mais importantes artista da região do Serro e Diamantina. Estes painéis,  autoria de Manuel da Costa Ataíde, estão representadas cenas relativas à Paixão de Cristo – Flagelado, Coroação de Espinhos, Caminho para o Calvário e Crucificado. A iconografia da pintura do forro se submete também ao tema da Paixão, organizando-se em torno do medalhão central com a Santa Face estampada no véu da Verônica.

“Sua composição – acrescenta o eminente especialista – assinala-se pela extrema liberdade das formas que a constituem e pela predominância da tonalidade rosa no colorido, a contrastar vivamente com a representação do Santo Sudário que lhe serve de assunto principal, ao centro do forro, em cuja periferia o artista pintou uma varanda abalaustrada e florida, sobre a qual assentou apenas figuras femininas à moda Luiz XV, simbolizando a fé, a esperança, a caridade, a temperança e os cincos sentidos”.

 

Escrito por Dutra de Morais, Geraldo.

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